segunda-feira, 5 de abril de 2010

Melaço

Melaço da cana- de- açúcar

Mela minha melancolia

Meu medo

Meu amor

Meu mel

Mulher...

Celular...

Céu luar

Seu olhar

Sem ver

Sen ti

Sen tido

Gozei...

sábado, 27 de março de 2010

Ventania

Quando o vento bater em sua porta

pode abrir...

Quem sabe ele traga um cheiro suave

de alguma lembrança feliz...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

O Sapato

Gotículas de chuva atravessaram a fresta da janela e caíram sobre seu rosto... Ela despertou e lutava contra a vontade de seus olhos abrirem e permanecia-os apertando... Seus pés pendiam para fora da cama como se quisessem caminhar... Ela os colocava para cima novamente... Estava forçadamente agindo contra a vontade de seu corpo, ele queria continuar o dia, Ela desejava a eternidade inteira prostrada na cama...
Percebeu uma claridade por entre seus olhos... “Será que a chuva passou?” E indagou novamente em seu ser... “Será que a chuva passou?” Decidiu então fazer a chuva da desilusão e tristeza sair de dentro dela... Lutando contra si mesma conseguiu enfim abrir lentamente os olhos... “Meu Deus!” Seu quarto antes uma redoma de amor, estava com o teto repleto de traças e teias de aranha, no chão, mal podia ver o piso que estava encoberto de caixas e bolas de lenço de papel que enxugaram antes suas lágrimas... A cômoda com algumas gavetas abertas, vazias... O guarda roupa de casal estava com as portas de um lado abertas, também vazias... Ela sentou-se na cama com a mente em branco... Olhava cada centímetro do quarto e se deparou com sua própria imagem no espelho... Estava ela de rosto inchado, olhos vermelhos e profundas olheiras, cabelos assanhados, sua camisola de renda estava encardida e fedia um misto de suor, lagrimas, secreção e dor... Ela olhava-se... O sol aparecia fortemente fazendo desaparecer a tempestade do dia anterior... Ela sentia que o quarto esquentava... “Vou reagir... Não posso continuar assim... Foi adeus? então adeus...” Levantou-se abriu a janela e de fora escutava o som de carros na rua, pessoas conversando... Passou um tempo olhando a paisagem de concreto que da altura do seu andar se via... De algum lugar alguém tentava sintonizar a radio, pois era alto o chiado que a mudança de estação provocava... Ela ajeitou os cabelos, começou a catar os papeis no chão, fechou raivosamente as gavetas e a porta do guarda roupa... “O canalha deixou tudo limpo... Não, não... Para!” Ela mesma interrompia qualquer pensamento que lembrasse ele... Com as próprias mãos foi retirando as teias e traças no teto... Um som de musica foi invadindo seu quarto e “Atrás da Porta” Ela ouvia e via um sapato, apenas um pé do sapato preto bem lustrado, aquele que tinha o presenteado nas bodas do casamento... Ela desceu de cima da cama pé a pé, foi se agachando ficou de quatro rastejou em direção a porta entre aberta... A musica aumentava seu volume, ela já não sabia se ouvia de fora ou se a canção estava dentro dela... Cada intensidade da voz de Elis vibrava dolorosamente no seu peito... Rastejava lentamente... Sua mão em direção ao sapato tremia... O pegou... Enquanto o olhava relembrou de todo um passado feliz de amor... Não era mais o sapato que estava em suas mãos era ele... Foi aproximando seu corpo ao dele dançaram embalados pela musica, ela o abraçou, o beijou, recostou sua cabeça em seu ombro, era o mesmo corpo viril e quente de sempre... Seu sexo contra ao dele extasiada de prazer... “Esta foi mais uma canção da imortal...” A musica acabou... ela se viu novamente em seu quarto com o sapato entre suas pernas... e foi tomando conta dela toda uma ira que nunca tinha sentido antes... o sapato em suas mãos foi ficando dobrado de tanta força com que ela o apertava... Levantou as mãos em direção ao rosto... olhava o sapato furiosamente... O atirou pela janela...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Vaca Malhada

Vi uma mascara de vaca
Acho que vou comprá-la para usar neste carnaval
Um vestidinho malhado de veludo preto e branco
Talvez salto alto para manter a elegância
E assim os outros achem irreverente e linda essa fantasia
Não percebendo que espelho como eles me retratam dia a dia

Cuidado!!!

Alguns quilinhos podem te dar novas titulações...
Será que a gordura afetou meu cérebro?

Moooonnnnnnnnnnnnn

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A Rã

Não lembro exatamente o que iria fazer; se ia beber um copo com água na cozinha ou estender alguma toalha na área de serviço... Quando estiquei o braço para apertar o interruptor e acender a luz, algo frio caiu em minha mão... “Ai! Que é isso?...” Quando acendi a luz ela estava lá... Pálida, pequena, com seus olhos destacadamente pretos, encolhida, grudada na parede olhando fixamente para mim... “Quê? Uma perereca? Que nojo! Como isso veio parar aqui no meu apartamento?” Só que minha preocupação era saber como tirar aquilo do meu doce lar, que invasão horrenda, detesto todos esses bichos; formigas, baratas, aranhas, traças, minhocas, lagartixas, pulgas, carrapatos, piolhos e isso inclui sapos também... Bati os pés no chão ela nem se movia, fiz mais fortemente trupes, nada, sacudi os braços na tentativa de espanta – lá... “Aaaa sai daqui!!!” Olhei a vassoura pendurada pensei em pega-lá... “Mais se ela pular em mim”? Mais gritos, mais sapateados, mais batidas de palmas... “hueb, hueb!” Em vão, estava como uma ventosa bem apregoada no azulejo da minha cozinha... Passei um tempão a olhando sem saber o que fazer. Já eram altas horas nem o porteiro eu podia chamar para me socorrer daquela monstruosidade que atrapalhava minha calma... Fui levantando o braço lentamente, estiquei o dedo indicador em direção ao interruptor... Achei que talvez apagando a luz ela fugisse... “hueb...” Corri para o quarto tranquei a porta, me atirei na cama e me cobri com a coberta da cabeça aos pés... “Como uma coisa daquele veio parar aqui em cima, no meu apartamento?” Fiquei a imaginar como ela teria chegado até ali... Adormeci... “hueb, hueb, hueb...” Despertei do sono e a cantoria daquela bendita rã foi ficando cada vez mais alto... Mais alto coaxava... “Hueb, hueb...” Não sei como um bicho tão pequeno como aquele tinha um coaxado tão alto... E perturbava, perturbava... Assim se seguiram por todas as noites, a coisa me recebia quando chegava do trabalho... Ora dava um salto que não sei de onde partia às vezes da janela, no armário, na parede, na porta, no chão, ela sempre achava um jeito para me assustar... O porteiro já tinha investigado todo o apartamento minuciosamente e não a encontrará... Se não a visse ela se anunciava perturbando meu sagrado sono com seu poderoso coaxado... Enfim passei a conviver com aquele som que me “acalentava” na hora de dormir... Mas já há algumas noites me encontrava diferente, não sabia explicar bem porque, mais a solidão estava se tornando maior que antes, estava me acordando durante a noite ou demorava a adormecer... Acho que no segundo ou terceiro dia dessa angústia não querendo mais que as lágrimas derramassem, lembrei de um bolo de chocolate que comprei e ainda não tinha nem partido... Abri lentamente a porta da geladeira o brilho das raspas de chocolate me deu água na boca... Peguei aquela bandeja como a um troféu... “Vou detonar você queridinha... Ah! Meus deuses...” Por detrás da bandeja da torta estava ela, morta, com todas as patas bem esticadas, de pálida para cinza... “Coitada morreu congelada...” Senti que meus olhos marejaram de lágrimas, não sei quanto tempo fiquei de pé com a porta da geladeira aberta olhando para ela, a rã sem vida, sem coaxados, sem pulos... Interfonei para a portaria... “trim... trim... trim...” “Não acredito que farei isso sozinha!” Peguei o papel toalha, repleta de nojo, minha mão suava e tremia... “Herg! Deuses...” Segurei na pontinha do dedo de sua patinha e rapidamente pisei no pedal do lixo a tampa abriu... “Não!...” “Não? Você estava morta...” “Também achei mais você me salvou...” “Eu te salvei?” “Sim! Eu vivia sozinha na grama e desde que cheguei nesse apartamento você foi minha companhia, todos os dias tentava falar com você, mas me ignorava, era engraçado suas tentativas de me espantar, você é bailarina?” “Eu bailarina?” “É, você sapateia muito bem ou é axé que você faz sacudindo os braços assim...” “Quê?” “Como tentei falar com você, como não consegui, então me restava cantar pra você dormir...” “Não, não, isso não esta acontecendo, me morde para ver se é verdade...” Então a danada deu uma dentada no meu braço, quando olhei percebi que começou a jorrar sangue mais não era sangue vermelho não, era sangue azul... Jorrou muito parecia uma cachoeira... “Vem!” A perereca me pegou pela mão montada num pires de porcelana branco e começamos a surfar sobre a cachoeira... “Huhuhu!” Surfamos por toda a cozinha gargalhando, meu coração nunca esteve tão acelerado e feliz... ”Vê isto, olha o que eu consigo fazer” Ela colocou seus dedinhos na tomada do café e ficou piscando como luzes de natal... “Eu sabia que no dia que você me entendesse poderíamos ser grandes amigas, você sempre está só nesse apartamento, nunca recebe visitas, não tem namorado?” “Chega isso é demais conversar com uma rã, ninguém em sã consciência faria isso, estou ficando louca...” “Você não esta já te provei isso, te mordi bem forte...” “Chega! Você não é real! Sua perereca... eu tenho nojo de você!” “Sou um sapo, e você não tem nojo de mim não...” Saltou para minha mão percebi que de cinza foi se transformando num sapo verde, grande, maior do que eu, no meio do seu peito um coração de rubi vermelho palpitava, estava com sapatos pretos bem lustrados de cartola e bengala, em suas costas azas prateada batiam soltando um pó reluzente... “Dá-me um beijo?” “Quê? É loucura... não vá me dizer que vai se transformar num príncipe?” “Beije- me e veras...” O beijei.

Ano Novo...


Ano novo...

novas promessas...

novas esperanças...

novos sonhos...

novos sabores...

novos...

e mais uma vez um novo ano velho...

FELIZ ANO NOVO!!!