quarta-feira, 17 de novembro de 2010

AndalAtriz...

Decidi...
Serei protagonista de mim mesma
Não mal dizerei mais a minha sorte
Pois ela é divina...
Deus já me provou isso
Eu posso e eu quero ter um final feliz
E ser feliz para sempre
Coadjuvar minhas dores
Não é mais um papel interessante
Nessa tragicomédia que se chama vida
Quero algo mais atual
Protagonizarei um curta
Curtirei a mim mesma
Mil perdões...
Agora só tenho razões para vencer
Sinto aos que esperam que meu filme seja de tragédia...
Oliveiras... Alves... D’arcs... Britos... Burras...
São personagens ultrapassados no meu quadro de cena
Agora na minha produção artística caberá humanidade...
Ao fim de tudo é uma metragem piegas demais...
Assim traduzo a felicidade
Assim traduzirei em mim minhas realizações
Neste papel não existe energias ruins isso é hipocrisia
Existe a minha essência... Forte... Viva...
Meu olhar diz tudo... Eu sei
Mil perdões...
Aos quem não conseguem agüentar ver a luz...
A minha luz...
Bondade... Honestidade... Humanidade...
Essas são as características da personagem principal... EU
Que venham mil vilões...
Mil armadilhas e tentativas infelizes para minha destruição
Afinal sou a protagonista da minha historia
E no fim... Nunca o bem vence o mal.
Agora se abrem as cortinas...
Ação!!!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Um Dia Especial II...

Ano pós ano persiste em nossas vidas mais uma idade... Porque desejamos que isso fosse especial? Não sei? Quero bolo (de chocolate)... Quero presentes... Ligações... Mensagens... Quero esquecer que o tempo é imperdoável (ele não espera por você e nem vai esperar)... Porém independente de nossas vontades a idade vem e pesa... O tempo indeterminado e indecifrável nos dá surpresas agradáveis... Desagradáveis... Mesmo sem querermos... Bem... Ganhei uma tarde maravilhosa na Pronto Clinica em Campina do Barreto, péssimo atendimento, más enfermeiras... Meu filho no sorinho (dois furinhos em sua mãozinha)... Uma cocozada de diarréia em meu colo (que perfume)... E encerro o meu dia nove de novembro... Dia Especial de Aniversário...

domingo, 26 de setembro de 2010

Fragmentos V

Devemos ter dinheiro, aparência ou consciência?

Os três se soubermos contar...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Mãe

Amor
Sônia
Eu
Aruandhê

Se não fosse assim não existiria meu ser...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Fragmentos IV

O desejo foi como açúcar na água
Dissolveu...
Mais no fundo do copo ainda resta um pozinho.

Fragmentos III

A fragilidade é como uma rosa
Perfuma, mas fere com os espinhos...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Fim...

O falo fala
Finca-se a forma
No mais fundo
Do meu fim...

Fragmentos II

O barco segue o curso do mar
sem saber o seu destino,
mas o pescador que está a navegar
não esquece do porto de onde partiu...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Tempo I

Quando crianças
O tempo corre com a gente
Quando adultos
Corremos contra o tempo
Quando velhos
O tempo para
Quando mortos
O tempo reinicia

Prisão Perpétua

Estou consciente dos meus atos e atitudes
Das palavras que falei e me deu a sentença da solidão
Sei que engatilhei a arma que disparou essa dor profunda no meu peito
E dessa prisão perpétua espero pacientemente o dia
Que você possa me libertar...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Fragmentos I

Num mundo de desenganos todas as ilusões são passíveis de realização...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Carne


Alguns centímetros de pura carne... músculo... veias...
Entorpece-me os pensamentos...
Sou pura... anjo...
Nesse torpor de sentimentos...
Sou minha... fera... demônio...
A carne tremula oscila teu cheiro... meu sussurro...
Sou profissional... te conheço a mim cada centímetro do nosso desejo...
Alguns centímetros de pura carne por segundos de levitação...
E Enfim desfaleço Te esqueço.


( A Eudes pela frase sugestiva...)

domingo, 11 de julho de 2010

Imagem



Silêncio...
Minha mente não cabe mais teus pensamentos.
Desespero...
Meu corpo não suporta mais tua ausência.
Imagem...
Sou toda lágrimas.

Solidão...

Sou um pássaro sem asas
Esquecida no ninho da desilusão
Volte logo preciso voar...

Dedos

Dedos que me apontam também se apontam
São profissionais os atiradores de pedras...
Mais deveriam fazer isso em frente a seus espelhos
Os estraçalhariam...
Ah não são sete! Sete anos de azar...
Atirem em mim...
Vivo meu livre arbítrio
Prudência... com... sem...
Um dedo julgador...
Três dedos retornam...
Um julgo três consciências, será?
Julgadores...
No meu livre arbítrio todos os dedos são meus
Cinco... dez... vinte!
E meu julgo depois quem sabe minha morte
O Superior me condenará?
Vida... viva!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Brasil realmente perdeu!

A partida de futebol acabou...
A nossa seleção perdeu...
O Brasil chorou e eu sorri...
Desabafo...
Como podem ter chorado por causa de um jogo de futebol?
E os desabrigados das enchentes?
As chuvas continuaram a chorar por eles...
E nós?

terça-feira, 29 de junho de 2010

Verdade Egoísta

O mundo gira...
A roda da fortuna também
Não sei onde está a minha sorte
Se ao menos fostes meu...
Destino...
Derruba tantas casas com fortes chuvas
É pão e circo...
Copa do mundo
O povo sofre clama por socorro
No meu peito um sentimento
Porque você não esta aqui comigo?
Não passa nada de novo na TV, saco...
Toda ela verde e amarelo
O sofrimento mudou de cor...
No meu coração rubro, sangue forte, quente, vivo
Nossa ali eram casas! Hoje desgraça...
Como ajudar? Como me ajudar?
Tenho velhos sapatos do meu filho
Doação...
Doa-se a mim, como me doei inteira a você
Mais um gol da seleção...
Liga pra mim não consigo ficar sem você...
Tantas cidades de baixo d’água...
Ai Deus tira de mim esse desejo... Não, não...
O livre arbítrio me faz enxergar a mim...
Desculpas...
Verdade egoísta.

Amar e amar você...

Estou sofrendo...
Apaixonar-se dói
É melancólico, piegas demais
É o que tua ausência me faz
Imaginar você...
Onde estais que não aqui comigo?
Sufoco...
Sufoca mesmo tantos sentimentos...
Não domino mais nem meus pensamentos...
Só me resta sofrer, amar e amar você...

Segunda Opção

Como saber me comportar
Segunda opção
Dizer ao coração que aguarde o fogo da paixão?
Paixão, amor, tesão, sonho...
Não sei descrever que sentimento arrebatou meu coração
Desejo, quero você...
Meu só meu...
Deixa tudo e vem realizar tuas fantasias comigo
Deixa tudo que eu estou te esperando
Deixa tudo...
Vem...
Tua melhor opção.

domingo, 20 de junho de 2010

Pisa Pilão...

Sonhei com uma figura
O Pisa Pilão
Ele vinha pra mim
E pisava o pilão
Pisava bem pisadinho
E já não era mais sonho...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Pieguice

Estou com saudades de você... Sei que acabamos de nos ver mais meu peito dói...
Dói tanto que falta meu ar... Saudade orgânica que machuca a cada quilômetro de distanciamento... Que eu farei de mim sem você? Choro sozinha... Calada... Sufocada... Preciso dos teus lábios... Do teu braço apertando meu pescoço...
Teu corpo quente... Meu desejo... Esses segundos não passam! És meu primeiro pensamento... Espectro... Assombras qualquer meus pensamentos... Seu sorriso estampa-se agora no rosto de qualquer um... Cadê você? Vem logo... Vem me ver...
Só vou me reencontrar quando me perder no teu suor... Saliva... Gozo...
Sacia-me a tua vontade... Sou tua mulher, você meu homem... Peço a Deus por isso...
Não esquece... Não me esqueças... Não são meras palavras, tuas declarações de amor sobre meu corpo... Não são... Vem! Declara-te sobre mim e eu te molho de prazer.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Paixão

Olhos que se dilatam, brilham
Boca que se entreabre, beija
Coração que de dentro, palpita
Estomago que de oco, estremece
Sexo que latejante, deseja
Corpo que ausente denúncia, paixão...

Tempo II

Velho é o tempo
E ainda assim se renova a cada dia.
Derramando lágrimas pluviais,
Devastando canteiros e plantações,
Destruindo casebres e casarões,
Com relâmpago e trovões,
Iluminando o dia com seus raios de sol
Refazendo florescer mais vida,
Depois da noite escura...

terça-feira, 25 de maio de 2010

TamEnslAdbiMcasrpO

Tuili...
hoEsmeontes...
farosAtunimm...
squartMurt...
xacumnaeOwlkt...
Agora consegues entender?

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Queimem-me na fogueira.

Sei que pequei o mais grave pecado dos pecados capitais...
Mais como viver nesse mundo com livre arbítrio?
Arbítrio livre...
Isso quer dizer que sou livre.
Então pra que o pecado?
Para facilitar nossa jornada nessa terra, Senhor?
O mundo não é por demais não?
Como saber andar uma criança recém nascida?
Não há maturidade nos seres humanos...
O universo é por demais ancião...
O universo é por demais ilimitado...
Porque teria eu limites para ser feliz?
Porque teria eu que ser pecadora por querer viver?
Não, não vou mais sofrer...
Queimem-me na fogueira.

Eu ninguém

Sou um todo sem parte
Metade sem meio
Fragmento fragmentado
Conexão desconectada
Aplausos sem palmas
Calor na geada
O frio na fornalha
Vazio no vácuo
Você sem mim
Sou eu ninguém

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Canavial Rubra Beleza

Vermelho?
O canavial esta vermelho
Não porque arde em chamas
No horizonte céu
Recobriu de rubra beleza
Vermelho como eu
Sentimento...
Vermelho como arde em chama
Meu amor, paixão...
O canavial derrama minhas lágrimas
A natureza estonteante
Ainda faz vibrar
Meu peito em dor.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Mordida Zombeira

No pescoço mordida zombeira?

Quem foi que pediu?

Pra que me mordeu?

Todo meu corpo estremeceu...

Conectividade do Prazer

O mistério de amar sem nexo
É a conectividade do prazer
Que se une a dois
Como fios de extensão
Como tomada e interruptor
É amor ou paixão?
Sei não...
Mais esse calafrio
Um choque de tensão
Aumenta minha intensidade
Acho que entrei em curto circuito

Zrzrzrzrrzrzrzrzrzrzrzrzrzrzrzrzr...

sábado, 15 de maio de 2010

O Caminhão

Comprei belas flores
Todo me perfumei
Meu coração a cada passo, mais apertava
Cheguei a sua porta
Bati as palmas das mãos
Sua mãe da janela gritou:

"Prefiro ver minha filha morta
debaixo de um caminhão
ao vê-la se casar com um NEGRO"

Da outra ponta da esquina
uma mulher franzina berrava:

"Maria acode... acode Maria...
tua filha foi atropelada por um caminhão..."

(A Miró)

terça-feira, 4 de maio de 2010

Não deu tempo...

Estou arrasada...
Sinto-me culpada por não ter o visto antes...
Queria que da onde o senhor estivesse agora, ME PERDOE!
Não sei que justificativa posso dar a tão fatal esquecimento da minha memória...
Não deu tempo...
Queria muito ter te abraçado antes da tua eterna partida...
Quinze dias sentenciou a dor que agora sufoca meu peito...
Quinze dias...
Eu sabia, fui avisada que irias embora...
Porque não me prontifiquei em te procurar, em me despedir de você?
Porque a vida nos afasta dos mais importantes seres que queremos por perto?
Porque a vida não me permitiu?
Problemas, problemas, problemas!
Qual problema maior que a alegria de um sorriso que se sabe o ultimo?
Dói... Dói muito em saber que não posso mais o ver...
Que não vou mais ouvir tua voz me alegrando com velhas saliências...
Importância? Várias, muitas és um ser importante para mim...
Por isso lamento, choro...
Não por saber que se foste, todos nós iremos um dia...
Mas por saber que não me despedi de você...
Estou certa que minha presença te alegraria...
No meu sonho me disseste isso...
Deitado na cama, coberto por lençol branco...
O rosto mais jovem e lindo do que antes...
Seguraste no meu braço sorrindo... “Que bom que você veio”.
Na verdade o senhor que veio a mim, no sonho...
E hoje o sonho da despedida...
Será que em sua lápide poderei te encontrar...
Irei lá...
Espero que o senhor aceita este escrito...
Uma vela branca...
E aquela pequena chama de luz talvez faça nós nos reencontrarmos...

Perdoe-me Dr. Alberto, não deu tempo de me despedir de você!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Andalando...

Andando sem rumo...

Perdida no tempo em que me perdi...

Onde estou?

Aqui?

Em mim?

Não acho...

Não me acho...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Melaço

Melaço da cana- de- açúcar

Mela minha melancolia

Meu medo

Meu amor

Meu mel

Mulher...

Celular...

Céu luar

Seu olhar

Sem ver

Sen ti

Sen tido

Gozei...

sábado, 27 de março de 2010

Ventania

Quando o vento bater em sua porta

pode abrir...

Quem sabe ele traga um cheiro suave

de alguma lembrança feliz...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

O Sapato

Gotículas de chuva atravessaram a fresta da janela e caíram sobre seu rosto... Ela despertou e lutava contra a vontade de seus olhos abrirem e permanecia-os apertando... Seus pés pendiam para fora da cama como se quisessem caminhar... Ela os colocava para cima novamente... Estava forçadamente agindo contra a vontade de seu corpo, ele queria continuar o dia, Ela desejava a eternidade inteira prostrada na cama...
Percebeu uma claridade por entre seus olhos... “Será que a chuva passou?” E indagou novamente em seu ser... “Será que a chuva passou?” Decidiu então fazer a chuva da desilusão e tristeza sair de dentro dela... Lutando contra si mesma conseguiu enfim abrir lentamente os olhos... “Meu Deus!” Seu quarto antes uma redoma de amor, estava com o teto repleto de traças e teias de aranha, no chão, mal podia ver o piso que estava encoberto de caixas e bolas de lenço de papel que enxugaram antes suas lágrimas... A cômoda com algumas gavetas abertas, vazias... O guarda roupa de casal estava com as portas de um lado abertas, também vazias... Ela sentou-se na cama com a mente em branco... Olhava cada centímetro do quarto e se deparou com sua própria imagem no espelho... Estava ela de rosto inchado, olhos vermelhos e profundas olheiras, cabelos assanhados, sua camisola de renda estava encardida e fedia um misto de suor, lagrimas, secreção e dor... Ela olhava-se... O sol aparecia fortemente fazendo desaparecer a tempestade do dia anterior... Ela sentia que o quarto esquentava... “Vou reagir... Não posso continuar assim... Foi adeus? então adeus...” Levantou-se abriu a janela e de fora escutava o som de carros na rua, pessoas conversando... Passou um tempo olhando a paisagem de concreto que da altura do seu andar se via... De algum lugar alguém tentava sintonizar a radio, pois era alto o chiado que a mudança de estação provocava... Ela ajeitou os cabelos, começou a catar os papeis no chão, fechou raivosamente as gavetas e a porta do guarda roupa... “O canalha deixou tudo limpo... Não, não... Para!” Ela mesma interrompia qualquer pensamento que lembrasse ele... Com as próprias mãos foi retirando as teias e traças no teto... Um som de musica foi invadindo seu quarto e “Atrás da Porta” Ela ouvia e via um sapato, apenas um pé do sapato preto bem lustrado, aquele que tinha o presenteado nas bodas do casamento... Ela desceu de cima da cama pé a pé, foi se agachando ficou de quatro rastejou em direção a porta entre aberta... A musica aumentava seu volume, ela já não sabia se ouvia de fora ou se a canção estava dentro dela... Cada intensidade da voz de Elis vibrava dolorosamente no seu peito... Rastejava lentamente... Sua mão em direção ao sapato tremia... O pegou... Enquanto o olhava relembrou de todo um passado feliz de amor... Não era mais o sapato que estava em suas mãos era ele... Foi aproximando seu corpo ao dele dançaram embalados pela musica, ela o abraçou, o beijou, recostou sua cabeça em seu ombro, era o mesmo corpo viril e quente de sempre... Seu sexo contra ao dele extasiada de prazer... “Esta foi mais uma canção da imortal...” A musica acabou... ela se viu novamente em seu quarto com o sapato entre suas pernas... e foi tomando conta dela toda uma ira que nunca tinha sentido antes... o sapato em suas mãos foi ficando dobrado de tanta força com que ela o apertava... Levantou as mãos em direção ao rosto... olhava o sapato furiosamente... O atirou pela janela...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Vaca Malhada

Vi uma mascara de vaca
Acho que vou comprá-la para usar neste carnaval
Um vestidinho malhado de veludo preto e branco
Talvez salto alto para manter a elegância
E assim os outros achem irreverente e linda essa fantasia
Não percebendo que espelho como eles me retratam dia a dia

Cuidado!!!

Alguns quilinhos podem te dar novas titulações...
Será que a gordura afetou meu cérebro?

Moooonnnnnnnnnnnnn

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A Rã

Não lembro exatamente o que iria fazer; se ia beber um copo com água na cozinha ou estender alguma toalha na área de serviço... Quando estiquei o braço para apertar o interruptor e acender a luz, algo frio caiu em minha mão... “Ai! Que é isso?...” Quando acendi a luz ela estava lá... Pálida, pequena, com seus olhos destacadamente pretos, encolhida, grudada na parede olhando fixamente para mim... “Quê? Uma perereca? Que nojo! Como isso veio parar aqui no meu apartamento?” Só que minha preocupação era saber como tirar aquilo do meu doce lar, que invasão horrenda, detesto todos esses bichos; formigas, baratas, aranhas, traças, minhocas, lagartixas, pulgas, carrapatos, piolhos e isso inclui sapos também... Bati os pés no chão ela nem se movia, fiz mais fortemente trupes, nada, sacudi os braços na tentativa de espanta – lá... “Aaaa sai daqui!!!” Olhei a vassoura pendurada pensei em pega-lá... “Mais se ela pular em mim”? Mais gritos, mais sapateados, mais batidas de palmas... “hueb, hueb!” Em vão, estava como uma ventosa bem apregoada no azulejo da minha cozinha... Passei um tempão a olhando sem saber o que fazer. Já eram altas horas nem o porteiro eu podia chamar para me socorrer daquela monstruosidade que atrapalhava minha calma... Fui levantando o braço lentamente, estiquei o dedo indicador em direção ao interruptor... Achei que talvez apagando a luz ela fugisse... “hueb...” Corri para o quarto tranquei a porta, me atirei na cama e me cobri com a coberta da cabeça aos pés... “Como uma coisa daquele veio parar aqui em cima, no meu apartamento?” Fiquei a imaginar como ela teria chegado até ali... Adormeci... “hueb, hueb, hueb...” Despertei do sono e a cantoria daquela bendita rã foi ficando cada vez mais alto... Mais alto coaxava... “Hueb, hueb...” Não sei como um bicho tão pequeno como aquele tinha um coaxado tão alto... E perturbava, perturbava... Assim se seguiram por todas as noites, a coisa me recebia quando chegava do trabalho... Ora dava um salto que não sei de onde partia às vezes da janela, no armário, na parede, na porta, no chão, ela sempre achava um jeito para me assustar... O porteiro já tinha investigado todo o apartamento minuciosamente e não a encontrará... Se não a visse ela se anunciava perturbando meu sagrado sono com seu poderoso coaxado... Enfim passei a conviver com aquele som que me “acalentava” na hora de dormir... Mas já há algumas noites me encontrava diferente, não sabia explicar bem porque, mais a solidão estava se tornando maior que antes, estava me acordando durante a noite ou demorava a adormecer... Acho que no segundo ou terceiro dia dessa angústia não querendo mais que as lágrimas derramassem, lembrei de um bolo de chocolate que comprei e ainda não tinha nem partido... Abri lentamente a porta da geladeira o brilho das raspas de chocolate me deu água na boca... Peguei aquela bandeja como a um troféu... “Vou detonar você queridinha... Ah! Meus deuses...” Por detrás da bandeja da torta estava ela, morta, com todas as patas bem esticadas, de pálida para cinza... “Coitada morreu congelada...” Senti que meus olhos marejaram de lágrimas, não sei quanto tempo fiquei de pé com a porta da geladeira aberta olhando para ela, a rã sem vida, sem coaxados, sem pulos... Interfonei para a portaria... “trim... trim... trim...” “Não acredito que farei isso sozinha!” Peguei o papel toalha, repleta de nojo, minha mão suava e tremia... “Herg! Deuses...” Segurei na pontinha do dedo de sua patinha e rapidamente pisei no pedal do lixo a tampa abriu... “Não!...” “Não? Você estava morta...” “Também achei mais você me salvou...” “Eu te salvei?” “Sim! Eu vivia sozinha na grama e desde que cheguei nesse apartamento você foi minha companhia, todos os dias tentava falar com você, mas me ignorava, era engraçado suas tentativas de me espantar, você é bailarina?” “Eu bailarina?” “É, você sapateia muito bem ou é axé que você faz sacudindo os braços assim...” “Quê?” “Como tentei falar com você, como não consegui, então me restava cantar pra você dormir...” “Não, não, isso não esta acontecendo, me morde para ver se é verdade...” Então a danada deu uma dentada no meu braço, quando olhei percebi que começou a jorrar sangue mais não era sangue vermelho não, era sangue azul... Jorrou muito parecia uma cachoeira... “Vem!” A perereca me pegou pela mão montada num pires de porcelana branco e começamos a surfar sobre a cachoeira... “Huhuhu!” Surfamos por toda a cozinha gargalhando, meu coração nunca esteve tão acelerado e feliz... ”Vê isto, olha o que eu consigo fazer” Ela colocou seus dedinhos na tomada do café e ficou piscando como luzes de natal... “Eu sabia que no dia que você me entendesse poderíamos ser grandes amigas, você sempre está só nesse apartamento, nunca recebe visitas, não tem namorado?” “Chega isso é demais conversar com uma rã, ninguém em sã consciência faria isso, estou ficando louca...” “Você não esta já te provei isso, te mordi bem forte...” “Chega! Você não é real! Sua perereca... eu tenho nojo de você!” “Sou um sapo, e você não tem nojo de mim não...” Saltou para minha mão percebi que de cinza foi se transformando num sapo verde, grande, maior do que eu, no meio do seu peito um coração de rubi vermelho palpitava, estava com sapatos pretos bem lustrados de cartola e bengala, em suas costas azas prateada batiam soltando um pó reluzente... “Dá-me um beijo?” “Quê? É loucura... não vá me dizer que vai se transformar num príncipe?” “Beije- me e veras...” O beijei.

Ano Novo...


Ano novo...

novas promessas...

novas esperanças...

novos sonhos...

novos sabores...

novos...

e mais uma vez um novo ano velho...

FELIZ ANO NOVO!!!